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RESUMO DO FILME A GUERRA DO FOGO

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008


A Guerra do Fogo (La Guerre du feu, 81, FRA/CAN)Dir.: Jean-Jacques Annaud. Com: Everett McGill, Rae Dawn Chong, Ron Perlman, Nameer El Kadi.
por Rodrigo Cunha
Um dos temas que envolvem a discussão sobre a naturalidade da linguagem falada é o que versa sobre a sua origem. O filme A Guerra do Fogo, de Jean-Jacques Annaud, é uma interessante especulação a esse respeito, e ajuda a refletir sobre a questão.
O filme trata de dois grupos de hominídios pré-históricos: um que cultuava o fogo como algo sobrenatural e outro que dominava a tecnologia de fazer o fogo. Em termos de linguagem, o primeiro não está muito longe dos demais primatas, emitindo gritos e grunhidos quase na totalidade vocálicos. Esse tipo de comunicação assemelha-se ao que Rousseau considera, em seu Ensaio sobre a origem das línguas, como a primeira manifestação de linguagem no homem, que é a expressão de suas paixões, como a dor e o prazer. Já o segundo grupo parece ter uma comunicação mais complexa, com maior número de sons articulados. Há outros elementos culturais, como habitações e ritos, que denotam um maior grau de complexidade do segundo grupo com relação ao primeiro.
No que concerne apenas à questão da linguagem, uma possível interpretação seria a seguinte: em um determinado estágio de sua evolução biológica, o homem, já se locomovendo como bípede e tendo suas mãos livres, aprendeu a manipular instrumentos, a interferir no seu meio e a fazer, dentre outras coisas, o fogo. A necessidade de preservação desse conhecimento, dessa tecnologia, levou-o a sofisticar a sua capacidade de comunicação. A princípio, sua linguagem pode ter sido meramente gestual, mas ele descobriu que os sons também poderiam se prestar a essa função.
Assim como, ao tornar-se Homo Erectus viu-se com as mãos livres (antes usadas principalmente na locomoção) e descobriu que poderia usá-las para manipular as coisas; assim como, ao tornar-se Homo Sapiens descobriu que poderia usar essa capacidade de manipulação para interferir no seu meio; da mesma forma, descobriu que os órgãos utilizados para funções vitais como a respiração e a digestão, também serviam para emitir sons. A partir do momento em que aprendeu a diversificar os sons através das articulações, conseguiu aumentar as possibilidades de combinação entre eles. Uma vez estabelecidas determinadas convenções entre os seus semelhantes, possibilitou-se a troca de informações (como a tecnologia de fazer o fogo) de um indivíduo para o outro.
A sofisticação da linguagem serviu para facilitar a comunicação de uma informação complexa, talvez não expressável meramente pelo gesto. Portanto, como diria o pai da Linguística Moderna, Ferdinand de Saussure, "não é a linguagem que é natural ao homem, mas a faculdade de construir uma língua, vale dizer: um sistema de signos distintos correspondentes a idéias distintas".
As divagações acima são apenas leituras possíveis do interessante filme de Annaud. E os indícios lingüisticos (a distinção entre a linguagem de uma tribo e de outra) foram pensados pelo foneticista Anthony Burgess, que assina o roteiro. Burgess ficou conhecido pelo livro Laranja Mecância, que foi adaptado para o cinema por Stanley Kubrick.
A Guerra do Fogo, com roteiro de Burgess e direção de Annaud, pode ser monótono e cansativo para quem não tem curiosidade pelo tema. Mas aqueles que se interessam não só pela origem da linguagem, mas pelas raízes da espécie humana e pelo florescer da razão e das tecnologias, irá apreciar o filme.

12 comentários:

# disse...
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KIMBERLY disse...

eu achei o filme bem interresante embora nao acrediti que a gente veio do macaco nos so temos semelhanca a eles

Speed disse...

Vi esse filme ontem!
Fiquei bobo de ver!Ele é muito bacana!Achei esse filme muito interessante mesmo!

Fernando disse...

assisti o filme na minha escola e, realmente, foi cansativo para quem não se interessa e interessante para quem gosta de aprender sobre as origens da linguagem e do ser humano... muito bom...

nathalie disse...

assisti esse filme achei bem legal muito legal

marinamaluket disse...

assisti esse filme na escola hoje e achei muito interessante, eu só queria saber se de acordo com o que eles ficavam em um lugar

marinamaluket disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
alineeee disse...

eu assisti esse filme na escola semana passada ,e achei muito interessante amei!!!

thay disse...

esse filme só presta pra eu dar é risada afs engraçado d+

Monique de Oliveira disse...

Assisti esse filme no ano passado na escola, aula de Filosofia, na verdade achei intediante, mas agora que estou na Universidade vejo com outros olhos. Hoje mesmo assisti a esse filme e tive melhor compreensão a respeito do que o autor queria passar. É um ótimo filme para quem está atuando na área de Humanas. Ah e claro, eu também não acredito que tenhamos vindo do macaco, mas acho que na verdade o autor não gostaria de ressaltar isso, mas sim a forma na qual as tribos opostas tinham a visão da vida que eles levavam.

Amanda Silveira disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Anne Caroline disse...

Meu professor está falando sobre esse tema em suas aulas, a cada semana estamos assistindo uma parte do filme e até agora eu achei o filme muito interessante , é bom para aprendermos sobre a pré história e como eram os seres humanos naquela época.

 
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